Por que relubrificar um rolamento?
Quando utilizada em componentes como rolamentos, a graxa tende a se degradar ao longo do tempo. À medida que o óleo básico se separa do espessante, pode ocorrer oxidação e falta de lubrificante no interior do rolamento. Os canais internos de lubrificação também podem ser contaminados, causando abrasão, fadiga e falha.
A relubrificação renova o lubrificante, mantém os filmes lubrificantes e desloca parte da graxa antiga e possivelmente contaminada. Dessa forma, melhora o regime de lubrificação do rolamento, aumenta sua vida útil e reduz paradas não programadas.
Por que utilizamos graxa?
A graxa é muito empregada em máquinas industriais devido às suas propriedades, que a tornam adequada a diferentes aplicações e ambientes. Existem diversos tipos de graxa, formulados para aplicações específicas em rolamentos, considerando velocidade, temperatura, carga e condições ambientais.
A relubrificação periódica e a manutenção adequada são essenciais para que os rolamentos operem de forma eficiente durante toda a sua vida útil prevista.
Cuidados ao usar graxa
Ao relubrificar um rolamento que permaneceu muito tempo sem manutenção, deve-se considerar que o espessante pode endurecer no interior do componente à medida que o óleo básico se separa. Pode restar apenas o espessante seco e aderido.
Ao aplicar pressão durante a injeção de graxa, esses resíduos endurecidos podem ser levados para a zona de carga do rolamento. Isso equivale a introduzir partículas abrasivas no componente, causando desgaste severo e remoção de material metálico.
Uma forma eficaz de reduzir esse risco é abrir o ponto de purga, quando houver, para permitir a expulsão do material endurecido e dos contaminantes da cavidade do rolamento. Verifique sempre se a passagem até o ponto de purga está desobstruída.
O que a lubrificação incorreta provoca?
O excesso de graxa é um dos erros mais comuns em instalações industriais. Ele aumenta o atrito e a temperatura, podendo degradar tanto o lubrificante quanto o próprio rolamento. Além disso, o excesso de graxa pode extravasar pelas vedações, criando caminhos para a entrada de contaminantes e danos consideráveis.
Por outro lado, a quantidade insuficiente de graxa pode provocar contato metal com metal, atrito excessivo e o característico ruído agudo do rolamento, geralmente um sinal de falha iminente.
Tipos de engraxadeiras
- Engraxadeira de alavanca: manual, simples de usar e muito comum.
- Engraxadeira tipo pistola: bastante utilizada, inclusive em rotinas acompanhadas por ultrassom.
- Engraxadeira pneumática: de maior potência, acionada por ar comprimido.
- Engraxadeira elétrica: alimentada por bateria e geralmente empregada em aplicações industriais de maior escala.
A engraxadeira de alavanca é útil porque permite perceber a pressão durante a aplicação da graxa. Se houver bloqueio, o operador pode interromper a atividade, desmontar ou purgar a linha antes de continuar a relubrificação.
Também é indispensável utilizar a engraxadeira correta para cada graxa. Embora modelos diferentes possam parecer semelhantes, cada engraxadeira deve ser dedicada à sua aplicação e identificada com uma etiqueta compatível com a identificação da graxa utilizada.
Com o tempo, as engraxadeiras podem perder a calibração. O uso da ferramenta correta para a graxa e aplicação corretas ajuda a manter sua precisão e eficácia por mais tempo.
Quanto de graxa usar?
Diversos fatores determinam o volume correto de graxa para uma aplicação. Tanto o excesso quanto a falta de graxa podem afetar negativamente o equipamento; por isso, o volume deve ser definido por cálculo apropriado.
Dois fatores principais são a velocidade de rotação e o tamanho do rolamento. Além dos diâmetros interno e externo, é necessário conhecer o volume da cavidade e a quantidade de graxa necessária para preenchê-la adequadamente.
Em outras palavras, as dimensões físicas do rolamento são determinantes para estabelecer o volume de graxa.
Escolha da engraxadeira adequada
Após calcular o tamanho do rolamento e sua velocidade de rotação, é importante escolher a engraxadeira correta. Uma balança de precisão, como uma balança postal, pode ser útil nessa etapa.
Pesar previamente a quantidade liberada em cada acionamento da engraxadeira permite determinar quanto de graxa ela entrega. Uma regra simples é saber qual volume é dispensado em meio acionamento. Esse conhecimento é fundamental antes de executar a atividade em campo.
Com que frequência um rolamento deve ser relubrificado?
A frequência de relubrificação depende de vários fatores, como tipo de rolamento, aplicação, condições de operação, carga, velocidade e graxa utilizada. Não existe uma única resposta para todos os casos, mas as seguintes diretrizes devem ser consideradas:
- Recomendações do fabricante: o fabricante do rolamento geralmente define intervalos de lubrificação com base no projeto, nos materiais e na aplicação prevista. Essas recomendações devem ser o ponto de partida.
- Condições de operação: temperaturas elevadas, cargas pesadas, altas velocidades e exposição a contaminantes aceleram a degradação da graxa e podem exigir relubrificação mais frequente.
- Tipo de lubrificante: as graxas possuem diferentes capacidades de suportar temperatura, carga e velocidade. Algumas são projetadas para longa duração; outras requerem relubrificação mais frequente. Consulte as especificações do fabricante da graxa.
- Monitoramento da condição: o acompanhamento da temperatura, vibração, ruído e condição geral do rolamento ajuda a determinar a necessidade de relubrificação. Aumento de temperatura ou vibrações anormais podem indicar lubrificação insuficiente.
- Experiência e histórico: dados históricos e observações dos operadores e da equipe de manutenção ajudam a ajustar a frequência de relubrificação ao longo do tempo.
- Sistemas automáticos de lubrificação: alguns equipamentos industriais utilizam sistemas programáveis capazes de aplicar volumes precisos de graxa em intervalos definidos, garantindo maior consistência.
- Tipo de aplicação: rolamentos de equipamentos pesados normalmente exigem relubrificação mais frequente que aqueles empregados em aplicações leves.
- Plano de manutenção preventiva: incluir a relubrificação dos rolamentos no plano de manutenção preventiva evita que essa atividade seja negligenciada.
Lembre-se de que o excesso de graxa pode ser tão prejudicial quanto a falta. Graxa em excesso aumenta a temperatura e o atrito, além de favorecer o acúmulo de contaminantes. Treinamento adequado e aplicação da quantidade correta são indispensáveis.
A programação mais adequada deve ser definida considerando todos esses fatores, em conjunto com os fabricantes dos equipamentos e especialistas em manutenção. Inspeções, monitoramento e ajustes contínuos da frequência de relubrificação ajudam a garantir desempenho ideal e maior vida útil dos rolamentos.
Quem deve executar a lubrificação?
Técnicos de lubrificação, operadores e profissionais de manutenção devidamente treinados devem ser os responsáveis por definir e executar as necessidades de lubrificação e relubrificação.
A engraxadeira deve ser tratada como uma ferramenta capaz de causar danos quando utilizada incorretamente. Em uma equipe de lubrificação e confiabilidade, é essencial que o profissional compreenda os riscos, siga as diretrizes aplicáveis e adote todas as medidas de segurança.
Como relubrificar um rolamento de rolos com uma engraxadeira
- Reúna todas as ferramentas necessárias para executar o procedimento.
- Verifique se o código LIS da engraxadeira — sistema de identificação do lubrificante — corresponde à graxa recomendada para o rolamento de rolos.
- Limpe a superfície externa do rolamento e sua área ao redor com uma escova e um pano industrial sem fiapos.
- Remova o bujão de cada ponto de purga, se houver, e limpe a graxa endurecida com uma haste limpa-tubos ou arame apropriado.
- Remova a tampa de proteção da graxeira, se houver, e elimine a graxa acumulada com um pano industrial sem fiapos.
- Conecte o bico da engraxadeira à graxeira. Não segure o bico com a mão durante a aplicação.
- Posicione um recipiente para coleta de graxa residual sob o ponto de purga.
- Aplique lentamente a graxa recomendada, sem ultrapassar o volume máximo de relubrificação calculado.
- Se houver saída de graxa pelo componente, interrompa a aplicação e registre o volume adicionado. Não ultrapasse o volume máximo calculado para o componente.
- Pare o bombeamento e desconecte a engraxadeira.
- Se perceber contrapressão anormal durante o bombeamento, interrompa a atividade e verifique se há obstrução nas passagens de graxa.
- Utilize uma haste limpa-tubos ou arame para remover graxa endurecida das graxeiras e dos pontos de purga.
- Limpe a graxeira e recoloque sua tampa de proteção.
- Limpe o bico da engraxadeira e recoloque sua tampa.
- Remova toda a graxa expelida pelo ponto de alívio ou purga.
- Reinstale o bujão do ponto de purga, quando aplicável.
- Recolha e descarte corretamente a graxa residual e os materiais consumidos durante o procedimento.
Pontos principais
- Selecione a graxa correta.
- Sempre que permitido pelo fabricante e pelas condições de segurança, lubrifique com a máquina em operação para favorecer o deslocamento adequado da graxa pela cavidade.
- Certifique-se de que o acoplador e a graxeira estejam limpos antes de iniciar.
- Abra o ponto de purga, quando aplicável.
- Siga sempre as práticas de segurança e utilize os EPIs adequados.

