O que é o Código de Limpeza ISO?

O que é o Código de Limpeza ISO?

A Organização Internacional de Normalização (ISO) desenvolveu um código de limpeza utilizado como uma das principais informações avaliadas na maioria dos relatórios de análise de óleo industrial. Esse código ajuda a determinar o nível geral de limpeza do sistema monitorado.

Normalmente, o usuário final estabelece uma meta de limpeza. Enquanto a amostra de óleo em operação atender a essa meta, há maior confiança de que o sistema está sob controle. Atingir os níveis desejados de limpeza do óleo não ocorre de um dia para o outro, mas pode ampliar significativamente a vida útil da máquina e do próprio lubrificante. Tecnologias de regeneração de óleo, ou serviços especializados equivalentes, também podem contribuir para manter o óleo em alto nível de limpeza.

O código ISO é uma excelente ferramenta para definir metas e alarmes de limpeza do sistema. Também é adequado para acompanhar, registrar e divulgar indicadores-chave de desempenho (KPIs). Porém, no setor de lubrificação e análise de óleo, muitas vezes se atribui importância excessiva a esse código. Alguns laboratórios passaram a informar apenas o valor ISO, e muitos analistas de usuários finais dependem excessivamente dele. Na avaliação dos dados de amostras de óleo usado, o código ISO deve ter apenas um papel complementar.

Como o Código de Limpeza ISO é determinado

Quando amostras de óleo são submetidas à contagem de partículas, normalmente utiliza-se a contagem automática de partículas (APC, Automatic Particle Counting). A norma de calibração aplicável ao APC é a ISO 11171.

No APC, as partículas são contadas por métodos a laser ou por bloqueio de poros. Laboratórios diferentes podem informar faixas distintas de tamanho de partículas. Por exemplo, um relatório pode apresentar contagens para partículas maiores que 4, 6, 10, 14, 21, 38, 70 e 100 micrometros.

A ISO 4406:99 é a norma de referência para reporte da limpeza de fluidos. Conforme essa norma, é atribuído um número de código às contagens de partículas obtidas em três faixas: maiores que 4, 6 e 14 micrometros. O código ISO é definido com base na tabela da norma.

No entanto, sem acesso aos dados brutos, o código ISO só permite confirmar se a amostra atingiu a meta estabelecida. Ele não fornece uma tendência confiável, exceto quando os valores brutos das contagens variam o suficiente para elevar ou reduzir o código ISO.

O que o Código ISO pode indicar

Ao observar a tabela ISO, é possível notar um padrão: em cada faixa, o limite superior é aproximadamente o dobro do limite inferior do mesmo código. Da mesma forma, os limites superior e inferior são o dobro dos limites do código imediatamente inferior. Essa estrutura é conhecida como série de Renard.

A unidade de medida da contagem de partículas é “partículas por mililitro de amostra”. Os contadores de partículas de laboratório analisam um volume bem maior que 1 mL: durante o ensaio, aproximadamente 100 mL da amostra são conduzidos ao equipamento. A partir dessa contagem, o total de partículas é comparado a faixas exponenciais de base dois.

Mantendo o sistema limpo

Por que a limpeza é tão importante? A resposta é simples: competitividade. Em um mercado global, no qual produtos podem ser fabricados e transportados de outros países a menor custo, manter alta confiabilidade e disponibilidade operacional é indispensável para controlar os custos.

Lubrificantes e componentes livres de contaminantes têm maior vida útil e, como consequência, elevam a confiabilidade geral dos equipamentos. Soluções de regeneração de óleo, como o serviço Oil as a Service da SKF RecondOil, podem ajudar no combate à contaminação e facilitar o atingimento das metas de limpeza ISO.

Considerando o exemplo anterior, 20/17/13, o primeiro número indica que, para partículas maiores que 4 micrometros, a quantidade medida está acima de 2¹⁹ e até 2²⁰. Como a contagem é reportada em partículas por mL de amostra, os dados brutos devem ser divididos por 100.

Embora a regra geral indique que cada aumento de um nível no código ISO representa a duplicação da quantidade de partículas, isso não ocorre em todas as situações. Como a faixa admissível de partículas dobra dentro de cada código, a contaminação pode aumentar até quatro vezes e ainda resultar em elevação de apenas um nível no código ISO.

Isso se torna um problema relevante quando a meta de limpeza é 19/17/14, a amostra anterior apresentou 18/16/13 e a amostra mais recente apresenta 19/17/14. Para fins de reporte, a meta foi atingida e mantida, o que pode levar à classificação do componente como “normal”.

Porém, conforme explicado, o ingresso de partículas pode ter aumentado entre duas e quatro vezes sem que o código ISO suba mais de um nível — ou, em alguns casos, sem mudança alguma.

O Código de Limpeza ISO deve ser usado como uma meta: é fácil de acompanhar em KPIs e simples de comunicar. Entretanto, sua eficiência como suporte direto para diagnosticar a condição real da máquina é limitada. Os dados brutos da contagem de partículas permitem confrontar os resultados com outros ensaios, como análise elementar e índice ferroso. O código ISO, isoladamente, não permite essa validação cruzada.

Por isso, a análise dos dados brutos do contador de partículas, em todas as faixas reportadas, é essencial para uma avaliação de qualidade das amostras de óleo.

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