Quando o lubrificante habitual deixa de estar disponível, a decisão segura começa pelas especificações do equipamento e do produto. O mesmo rigor deve chegar ao ponto de uso: uma identificação clara evita que um óleo ou uma graxa corretos sejam aplicados no componente errado. A combinação entre seleção técnica e um Sistema de Identificação de Lubrificantes reduz a dependência de marcas, facilita substituições e protege a confiabilidade das máquinas.
O risco de selecionar ou aplicar o lubrificante errado
Falhas relacionadas à lubrificação aparecem com frequência quando o técnico coloca o lubrificante errado na máquina. Esse engano é fácil de cometer onde não existe um sistema adequado de etiquetagem e identificação. A mistura de produtos incompatíveis pode provocar expansão ou contração de vedações, precipitação de aditivos, perda do desempenho antidesgaste e perda das propriedades demulsificantes. Quando esses efeitos se acumulam, a consequência pode ser a falha da máquina.
A indisponibilidade de um produto conhecido aumenta esse risco. A equipe precisa encontrar uma alternativa, mas a embalagem e o nome comercial não informam, por si sós, se outro produto atende às necessidades do equipamento. Por isso, a substituição deve partir dos requisitos técnicos e ser acompanhada por uma identificação que permaneça clara desde o armazenamento até o ponto de aplicação.
Especificações técnicas antes da marca
A fidelidade a uma marca não deve orientar a seleção. As formulações podem ser apresentadas como únicas de um fabricante para outro, mas isso não significa que o produto atual seja o único capaz de executar o trabalho corretamente. O caminho mais seguro é comparar as especificações técnicas dos lubrificantes com as necessidades específicas do equipamento.
Os fabricantes de equipamentos recomendam determinados lubrificantes porque esses produtos oferecem aditivos e características de desempenho adequados ao projeto. A recomendação não decorre de preferência pelo fabricante do lubrificante. A viscosidade indicada também pode não coincidir exatamente com todas as condições reais de uso do equipamento; ainda assim, o desempenho global da formulação permanece uma referência essencial. Essas características podem ser usadas como identificadores para localizar alternativas equivalentes.
Como a ISO 6743 apoia a substituição
Uma das primeiras providências é identificar os óleos e as graxas por suas especificações, e não apenas pelo nome da marca e pela designação comercial. A ISO 6743, em conjunto com a ISO 11158:2009 no caso abordado pelos textos originais, organiza as aplicações em 15 áreas e reúne mais de 250 especificações relacionadas, entre outros aspectos, ao tipo de óleo base, aos aditivos e aos espessantes usados em graxas.
Como a classificação ISO é reconhecida internacionalmente, conhecer a especificação de cada lubrificante permite verificar se produtos de diferentes fornecedores atendem ao mesmo requisito. A norma pode não ser familiar para todas as pessoas da planta, mas os fornecedores de lubrificantes normalmente sabem quais produtos correspondem a cada classificação. O artigo original estima que 99% deles conhecem o padrão e conseguem relacionar seus óleos às especificações aplicáveis.
A equipe pode solicitar ao fornecedor a identificação ISO 6743 dos produtos em uso e registrar a informação no cadastro de lubrificantes. Em muitos casos, a classificação aparece na ficha técnica do produto, a TDS. Quando não estiver disponível, deve ser obtida diretamente com o fornecedor. Esse levantamento cria uma base para buscar outro produto em uma emergência de abastecimento ou para avaliar uma alternativa comercial mais favorável.
Exemplo de seleção de fluido hidráulico
Considere um sistema hidráulico de um basculador de caminhões com cerca de 21,3 metros no sul do Alabama. Nessa aplicação, pode ser comum encontrar um fluido hidráulico antidesgaste ISO 68. O fabricante do equipamento fornece as especificações do óleo e relaciona marcas e opções que as atendem. Se um produto nomeado cumpre os requisitos, as mesmas especificações podem ser comparadas com outros óleos disponíveis no mercado.
Em outro exemplo, o fabricante recomenda Mobil DTE 10 Excel 46. A ficha técnica da Mobil informa que o produto atende às classificações HM e HV das normas ISO citadas. Se esse produto não estiver disponível, a busca pode se concentrar em lubrificantes que atendam às mesmas classificações e aos requisitos do equipamento. A equivalência não deve ser presumida pelo nome ou pela aparência; ela precisa ser confirmada pelas especificações e pela viscosidade apropriada à aplicação.
O papel do Sistema de Identificação de Lubrificantes
Depois que cada produto é definido tecnicamente, o Sistema de Identificação de Lubrificantes, conhecido pela sigla LIS, transforma essas informações em uma linguagem visual para a planta. No sistema da Noria, o formato externo da etiqueta é o primeiro identificador: o círculo indica graxa e o quadrado indica óleo. Dentro da etiqueta, outro símbolo amplia a diferenciação. Há 32 formas únicas, desde um sinal de adição até uma estrela de 12 pontas.
A forma adicional é importante para pessoas com daltonismo, pois a identificação não depende apenas da cor. O LIS também utiliza nove cores, correspondentes às cores das tampas de recipientes seláveis e reabastecíveis, independentemente da marca. Por fim, a etiqueta apresenta o código LIS. Os exemplos citados nos textos originais incluem CKD-220-S-PAO e PU-XBEIA-2-115-M-G2.

A estrutura do código reúne a classificação do lubrificante, o grau de viscosidade e as informações sobre o óleo base. Para graxas, o código também contempla o tipo de espessante e o grau de consistência NLGI. A identificação padronizada permite reconhecer o produto necessário sem depender do nome comercial que estiver disponível naquele momento.

Como levar a identificação até o ponto de uso
O funcionamento da etiquetagem é simples. Imagine uma planta com seis tipos de óleo. Sem identificação, qualquer um deles pode ser aplicado por engano na máquina errada. A mesma etiqueta deve aparecer no tambor, no tanque a granel, no recipiente selável e reabastecível e na máquina que utiliza aquele óleo. Assim, o produto é acompanhado visualmente por todo o percurso.
Para graxas, a lógica é a mesma. A etiqueta circular deve estar na pistola de graxa e na máquina correspondente àquele produto. Forma, cor e código precisam coincidir. A sequência reduz a possibilidade de mistura, contaminação ou redução do desempenho do lubrificante já presente no componente.
Plano de implantação
1. Faça o inventário de todos os lubrificantes usados na instalação.
2. Solicite aos fornecedores o identificador ISO 6743 de cada óleo e graxa.
3. Registre o grau de viscosidade e confirme os requisitos do fabricante do equipamento e da ficha técnica.
4. Crie uma chave de identificação para relacionar cada código às especificações do lubrificante.
5. Defina um sistema de cores e formas que continue legível para pessoas com daltonismo.
6. Aplique a identificação no armazenamento, nos recipientes de transferência, nas ferramentas de aplicação e nos pontos de lubrificação.
7. Quando o produto comercial mudar, atualize a chave. Se a especificação permanecer a mesma, as etiquetas instaladas não precisam ser substituídas.
A chave é especialmente útil em períodos de restrição de fornecimento. Ela separa a identidade técnica do lubrificante da marca comprada. Dessa forma, a planta pode trocar de fornecedor sem perder a lógica visual aplicada às máquinas, desde que a alternativa seja validada contra os requisitos técnicos.
Precisão começa pela identificação
Precisão é a condição de ser exato e correto. Na lubrificação, etiquetar e identificar é o primeiro passo para alcançar essa precisão. Quando a tarefa é fácil de entender, cresce a probabilidade de que seja executada corretamente.
Cada instalação pode definir o nível de detalhamento do sistema. Há plantas que usam etiquetas simples, produzidas em rotuladores, com o nome exato e a viscosidade do lubrificante em cada máquina e componente. Esse método já é melhor do que trabalhar sem identificação. O LIS oferece uma prática mais completa ao combinar especificação, forma, cor e código, mantendo a rastreabilidade mesmo quando muda a marca do produto.
Na próxima inspeção pela planta, vale levar as etiquetas e verificar máquina por máquina. Corrigir os pontos sem identificação é um ganho rápido e frequentemente negligenciado nos programas de lubrificação. O objetivo permanece direto: colocar o lubrificante correto no componente correto, sem misturar, contaminar ou diminuir o desempenho do produto em serviço.

