Pensando no Longo Prazo com o Monitoramento da Condição

Frequentemente, aqui na revista Lubrificação de Máquinas, publicamos artigos informativos sobre monitoramento da condição, análise de lubrificantes e resolução de problemas. No entanto, ainda não tivemos um artigo que realmente treinasse o leitor na prática. Meu objetivo aqui é fornecer um guia de treinamento rápido sobre inspeções de monitoramento da condição para mecânicos, lubrificadores e até mesmo alguns operadores de máquinas. Pense nisso como uma referência ou um manual de “como fazer” as inspeções nos equipamentos e acessórios de monitoramento.


Monitoramento da Condição e o Custo Envolvido

Monitoramento da Condição é o processo de acompanhar um parâmetro específico na “saúde” de uma máquina (como a condição do óleo, a vibração, a temperatura, etc.) para identificar qualquer mudança importante que possa indicar o início de uma falha. É uma forma de manutenção e lubrificação proativa, ou seja, que se antecipa aos problemas. Queremos ficar sempre de olho em nossas máquinas para manter tanto elas quanto a nossa fábrica funcionando da maneira mais suave possível.

Claro, o sucesso de uma fábrica nessa área pode depender muito do que ela produz. Por exemplo, uma fábrica de cimento tem, literalmente, toneladas de poeira cobrindo as máquinas. É quase impossível manter tudo limpo, quanto mais monitorar a condição do lubrificante.

Sabendo disso, sinto que preciso deixar um aviso: eu entendo que nesses ambientes de fabricação “extremamente sujos”, algumas práticas e tarefas de monitoramento simplesmente não podem ser feitas. A quantidade de contaminantes e, às vezes, o próprio produto que está sendo fabricado acabam praticamente soterrando a máquina. Parece exagero, mas nós vemos isso acontecer com bastante frequência.

O que fábricas assim devem fazer é focar nas máquinas que podem ser salvas. Se uma bomba está cheia de produto – como asfalto, selante, pó de milho, cimento ou até fluidos do próprio processo – e esse material está cobrindo visores de nível, tampões ou respiros, essa bomba já passou do ponto. Eu a consideraria “irrecuperável”, o que significa que vai custar mais tempo da equipe e mais dinheiro para tentar consertá-la do que simplesmente trocá-la e começar do zero com uma máquina nova e limpa.

Ao gerenciar um programa de monitoramento da condição, a fábrica precisa gastar dinheiro para economizar dinheiro, confiando que, no longo prazo, essa economia será ainda maior. Lembre-se, estamos pensando no longo prazo; você não verá grandes economias de dinheiro logo de cara.


Acessórios para o Monitoramento da Condição

Na linha de frente do monitoramento da condição estão as pessoas. Nós, seres humanos, já vimos com um conjunto de ferramentas de monitoramento: nossos olhos, nariz, ouvidos e mãos. Passando todos os dias na fábrica, você se acostuma com o desempenho das máquinas através dos seus sentidos. Você sabe qual é o cheiro normal, a temperatura do ambiente e o som das máquinas, porque você os ouve todos os dias. Quando algo está fora do normal, isso deve ser bem perceptível.

No que diz respeito aos acessórios de monitoramento (o hardware), a fábrica precisa pensar em alguns fatores diferentes ao decidir o que instalar:

  • A coleta de amostras de óleo já é feita ou será feita no futuro? Se você não coleta amostras e nem planeja coletar, um simples visor de nível 3D (conhecido como “olho de boi”) funciona bem e é mais barato do que um acessório mais complexo como um CMP com seu conector. Mas por que não investir em acessórios que nos aproximam do nosso objetivo final de ter máquinas mais confiáveis?
  • O equipamento é considerado “descartável” ou do tipo “funciona até quebrar”? A maioria das fábricas tem redutores de engrenagem pequenos assim; eles são lubrificados e têm entradas para acessórios, mas o plano é simplesmente trocá-los quando quebram. Não estamos necessariamente tentando aumentar a vida útil desse redutor com práticas de monitoramento; simplesmente não vale a pena o trabalho e o custo de instalar os acessórios.

As Inspeções

O monitoramento da condição, em sua essência, é criar um histórico com dados de inspeções detalhadas nas máquinas e no óleo. Sim, existem outras técnicas como análise de vibração e termografia, mas como esta é a revista Machinery Lubrication, vamos focar na parte da lubrificação.

Como mencionado antes, primeiro precisamos usar nossos sentidos. Então, aproxime-se do equipamento e inspecione metodicamente todo o conjunto. Lembre-se de anotar tudo, tirar fotos e sempre registrar os resultados da inspeção. Uma grande parte do motivo pelo qual inspecionamos é para acompanhar os dados ao longo do tempo e monitorar o desempenho da nossa máquina. Com esse histórico de dados, muitas vezes podemos prever uma falha antes que ela aconteça e, quem sabe, até mesmo evitar que ela ocorra. Essa também é uma excelente maneira de acompanhar o progresso do programa de lubrificação como um todo. Um indicador chave de desempenho (KPI) sobre quão bem a fábrica está operando é frequentemente encontrado em práticas proativas de monitoramento da condição, como inspeções frequentes e minuciosas.

O que procurar

Assim como em uma situação de emergência, ao se aproximar do local, preste atenção às condições do ambiente para garantir sua segurança e ter uma percepção completa.

  • O dia está mais quente que o normal? Isso pode causar um aumento óbvio na temperatura de operação da máquina.
  • Está mais úmido? A umidade pode prejudicar o desempenho dos respiros dessecantes (que servem para remover a umidade do ar).
  • Há algum fluido no chão, na base da máquina ou no solo?
  • O equipamento foi exposto diretamente à água recentemente, como chuva, vapor ou jatos de limpeza?
  • Há algum cheiro diferente? Consegue sentir cheiro de enxofre, mofo, combustível, etc.?
  • Existem ruídos estranhos ou vibração excessiva vindo do equipamento?

Em seguida, vamos dar uma olhada na base e nos parafusos de fixação do conjunto.

  • A base de concreto está rachada? Existem sinais óbvios de que algo está errado?
  • Os parafusos de fixação estão firmes? Não há roscas aparecendo ou sinais de que estão se soltando ou quebrando?

Finalmente, vamos inspecionar a condição do lubrificante e dos acessórios de monitoramento que já estão no equipamento. Eu gosto de inspecionar de baixo para cima, usando uma boa lanterna.

  1. Verifique o copo do BS&W (onde se acumula água e sujeira do fundo do reservatório). Drene a água, se necessário. Certifique-se de que não há vazamentos nas roscas. Verifique se a válvula de drenagem não está torta, trincada ou vazando.
  2. Se o equipamento tiver um lubrificador de nível constante, verifique se ele está com cerca de 3/4 do nível preenchido e se o óleo dentro dele está limpo.
  3. Em seguida, olharemos para o visor de nível. Se for um visor plano (2D), abra uma ordem de serviço para trocá-lo por um visor 3D do tipo “olho de boi”; isso tornará a inspeção e o monitoramento muito mais fáceis.
  4. Verifique no visor o nível correto do óleo e a condição do lubrificante.
  5. Se for um indicador de nível em coluna com um tubo que volta para o espaço de ar ou para o respiro, verifique se o óleo está no nível de operação correto.
  6. Em seguida, inspecione o tubo de respiro para ver se não está ressecado, rachado ou saturado. Se o óleo estiver subindo pelo tubo de respiro, significa que a máquina não está “respirando” corretamente e uma investigação mais aprofundada é necessária. Relate isso imediatamente.
  7. Procure por contaminantes no lubrificante, como partículas, detritos de desgaste, flocos brilhantes, etc.
  8. Verifique a cor e as características do lubrificante. Ele está com aparência leitosa, aguada, espumosa ou descolorida?
  9. Se o visor de nível estiver manchado e difícil de enxergar, troque-o.
  10. Em seguida, inspecione o respiro ou o tampão de respiro. Se houver um tampão simples ou um respiro de partículas instalado, verifique se há alguma condição anormal (torto, quebrado ou obviamente sujo) e, se aplicável, troque-o por um respiro dessecante.
  11. Se for um respiro dessecante, inspecione o material (as bolinhas coloridas) para ver se mudou de cor e troque-o se necessário.

Atenção especial para grandes sistemas de circulação

Uma atenção especial deve ser dada ao inspecionar grandes sistemas de circulação, como compressores alternativos ou reservatórios hidráulicos. Use a mesma abordagem “de baixo para cima”.

  • Observe as condições do ambiente ao redor e perto do sistema.
  • Inspecione a base, a área do reservatório e dê uma volta rápida ao redor do sistema por segurança.
  • Fique especialmente atento a vazamentos e cheiros estranhos, pois esses são equipamentos muito críticos e um conserto pode custar milhões de reais.
  • Inspecione os filtros e a tubulação.
  • Inspecione os visores de nível (muitos sistemas de circulação têm vários visores ao longo da linha). Este é um passo importante – problemas nesses visores podem traçar um mapa para o técnico, levando-o a possíveis falhas.
  • Finalmente, verifique todo o reservatório em busca de rachaduras, parafusos de fixação quebrados ou faltando, ou qualquer outra condição anormal.

Eu quero reforçar o quão importante é tirar fotos, fazer anotações e, depois, relatar e registrar suas descobertas. Lembre-se, estamos criando um histórico com esses dados para nos mantermos à frente no que diz respeito ao desempenho das máquinas. As inspeções devem ser levadas muito a sério e devem ser feitas com frequência. Elas são tão fáceis de realizar que você pode inspecionar equipamentos quase que “de passagem” enquanto caminha pela fábrica. Incluir tarefas de monitoramento da condição, como as inspeções, em suas rotas diárias é uma ótima maneira de sair na frente e colocar sua fábrica no caminho para um programa de lubrificação de classe mundial.

[Por Paul Farless, Noria Corporation. Traduzido pela equipe de conteúdos da Noria Brasil.]

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