Não tem certeza se precisa de um óleo para alta quilometragem no seu veículo? Você não está sozinho. Se você pesquisasse na internet por esse tema, encontraria milhões de resultados: anúncios, variações de preço, dezenas de marcas e milhares de discussões em fóruns.
O problema é que existe pouca informação clara sobre o que realmente define um óleo “de alta quilometragem”, quando usá-lo ou quais as diferenças reais entre as marcas. Este artigo visa responder às principais dúvidas sobre o assunto.
Quando Usar Óleo para Alta Quilometragem
Estes lubrificantes contêm aditivos condicionadores de juntas e retentores que reduzem vazamentos (tanto internos quanto externos). É comum que, após uma ou duas trocas, pequenos vazamentos parem, reduzindo aquelas manchas de óleo na garagem e o “fumo” (queima de óleo) em motores mais rodados.
Como eles funcionam? Os condicionadores fazem com que O-rings, juntas e retentores de borracha ou elastômeros sofram um leve inchamento, recuperando parte da sua capacidade de vedação. Em alguns casos, isso reduz o vazamento nos retentores de guia de válvula, baixando o consumo de óleo. Além disso, muitos desses óleos possuem pacotes de detergentes reforçados para remover a borra acumulada.
A maioria é formulada para veículos com mais de 120.000 km. A decisão de mudar é sua, mas é preciso ser realista: se o seu motor tem falhas mecânicas graves (como batida de pino, folga excessiva de pistão ou perda severa de compressão), o óleo não será uma “bala de prata”. Ele serve para mitigar o desgaste e prolongar a vida de motores que foram bem mantidos.

O Que É Considerado Alta Quilometragem?
Não há uma regra fixa. Hoje, motores bem cuidados podem chegar aos 400.000 km ou 600.000 km. É consenso que a quilometragem de estrada (rodovia) desgasta muito menos que a de cidade. No trânsito urbano, o motor sofre com o “anda e para” e nem sempre atinge a temperatura ideal de operação. Assim, um motor de cidade com 130.000 km pode estar tão desgastado quanto um de estrada com 240.000 km. Para o motorista médio, qualquer marca acima de 160.000 km já entra na categoria de alta quilometragem.

Diferenças e Aditivos
As formulações exatas são segredos industriais, mas a distinção primária costuma ser a concentração de aditivos. Enquanto as Fichas de Informações de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ/SDS) mostram apenas faixas percentuais, sabemos que o foco desses óleos é preencher as “asperidades” (vales microscópicos) das superfícies metálicas desgastadas, criando uma película mais lisa.

Frequência de Troca em Motores Rodados
Existe um debate sobre isso:
- Trocas mais frequentes: Necessárias porque folgas maiores permitem a passagem de gases para o cárter (blow-by) e a entrada de fuligem, contaminando o óleo mais rápido.
- Intervalos estendidos: Argumenta-se que, após o amaciamento, o motor gera menos partículas metálicas novas.
A nossa recomendação:
- Se o motor queima óleo ou precisa de completar o nível regularmente, não estenda a troca.
- Se houver perda de compressão, mantenha intervalos curtos.
- Invista em filtros de qualidade: O filtro tem tanto impacto na vida do motor quanto o próprio óleo.
Uso de Sintéticos e Retrocompatibilidade
Mudar de óleo mineral para sintético em motores velhos costumava causar vazamentos porque o sintético “limpava” as crostas que vedavam folgas. Hoje, as formulações sintéticas evoluíram e são muito mais compatíveis com motores antigos.
Posso usar em carros novos?
Não é recomendado. Fabricantes de motores novos especificam classificações API mais recentes (como SP ou SN Plus) e viscosidades mais baixas para economia de combustível. Usar óleo de alta quilometragem (geralmente mais viscoso e com aditivos de inchamento) em um carro zero quilômetro pode prejudicar o motor e até invalidar a garantia. Siga sempre o manual do proprietário enquanto o veículo for novo.
Diferenças Entre Marcas de Óleo de Alta Quilometragem
Para entender as marcas, é preciso conhecer os grupos de óleos básicos:

Aqui estão mais informações sobre as diferentes categorias de óleos básicos conforme estabelecido pelo American Petroleum Institute (API).
Grupo I: Minerais menos refinados, boa solubilidade de aditivos, mas vida útil menor.
Grupo II: Minerais hidrotratados, mais comuns no mercado.
Grupo III: Óleos minerais altamente processados, considerados “sintéticos” pela maioria das normas devido à sua alta performance.
Grupo IV (PAO): Sintéticos puros (Polialfaolefinas), excelentes em extremos de temperatura.
Grupo V: Outros sintéticos, como Ésteres e PAGs.

Resumo das Opções:
- Convencional (Mineral): Mais barato, mas com menor índice de viscosidade e resistência térmica.
- Sintético: Mais resiliente, ideal para temperaturas extremas e períodos maiores.
- Semissintético (Mix): Tenta equilibrar a solubilidade do mineral com a limpeza do sintético. Em óleos de alta quilometragem, a mistura de Grupo II com Grupo III é a mais comum.
Conclusão
Não existe uma solução única. Para que um motor atinja altas quilometragens, o segredo é a manutenção preventiva rigorosa. Se o seu carro já passou dos 120.000 km e começa a apresentar um consumo leve de óleo ou pequenos suores em juntas, o óleo de alta quilometragem é um excelente investimento. Pesquise a marca, verifique a compatibilidade com o seu manual e, acima de tudo, use o melhor filtro de óleo que puder comprar.

