Introdução
Introdução
As correntes transportadoras são a “espinha dorsal” de diversos setores, desde o automotivo e frigoríficos (processamento de proteínas) até a indústria de linha branca e pintura eletrostática. A confiabilidade dessas correntes impacta diretamente o fluxo de produção, a qualidade do produto final e a segurança operacional.
Historicamente, a lubrificação de correntes foi negligenciada. Por mais de um século, operou-se sob o mito de que “quanto mais viscoso, melhor”. Embora óleos pesados ofereçam proteção superficial, eles falham em penetrar nas zonas de desgaste microscópicas — pinos, buchas e roletes — onde a lubrificação é realmente vital.
Nas últimas décadas, o surgimento de lubrificantes sintéticos de baixa viscosidade, especialmente os baseados em Poliol Ésteres (POEs) e aditivos de alta performance, revolucionou o mercado. O que antes era visto como “fino demais” ou “sujo”, hoje é o padrão de excelência para estender a vida útil de sistemas de transporte.

Uma Breve Retrospectiva
Desde a invenção da corrente de rolos em 1881, a tecnologia dependia de óleos minerais ou gorduras animais/vegetais. Esses produtos oxidavam rápido, deixando resíduos carbonosos e borras que travavam as correntes e contaminavam os produtos.
Até os anos 80, óleos minerais pesados dominavam por criarem uma “ilusão de proteção”: eles revestiam a corrente visivelmente e não gotejavam. Porém, o atrito interno continuava destruindo os pinos. As primeiras tentativas de usar óleos finos falharam porque eram apenas solventes com grafite que evaporavam rápido demais, criando o estigma de que “óleo fino não funciona”.
A Virada de Chave: Química Sintética
O cenário mudou com os POEs. Diferente dos óleos minerais, os sintéticos avançados oferecem estabilidade térmica excepcional e, acima de tudo, uma queima limpa. Em vez de virar carvão sob calor, eles evaporam sem deixar resíduos.
Hoje, um óleo de baixa viscosidade moderno combina:
Aditivos de Extrema Pressão (EP): Como molibdênio ou grafite em suspensões estáveis.
Fluidos base penetrantes: Migram rapidamente para o interior de pinos e buchas.
Ésteres residuais: Permanecem protegendo a zona de desgaste após a fração leve evaporar.
Por que a Baixa Viscosidade é Superior?
Entendendo a “Baixa Viscosidade” na Escala ISO
A viscosidade é classificada usando a escala ISO VG (Grau de Viscosidade), medindo a viscosidade cinemática a 40°C. Para lubrificação de correntes transportadoras, as faixas geralmente se dividem em:
- Baixa viscosidade (ISO VG 5–32): Excelente para penetração em pinos, buchas, roletes e rolamentos de rodas de trole. Os típicos “óleos de corrente de baixa viscosidade” caem nesta categoria.
- Média viscosidade (ISO VG 68–150): Mais corpo, penetração mais lenta, mas com maior espessura de filme superficial.
- Alta viscosidade (ISO VG 220 e acima): Exemplos: ISO 220, 320, 460, 680+. Tradicionalmente usados em sistemas de transporte mais antigos, mas propensos a acúmulo de sujeira e má penetração.
Na prática, os óleos de transportadores de baixa viscosidade (ISO 5–32) penetram rapidamente e, em seguida, deixam para trás filmes de éster de viscosidade mais alta (às vezes equivalentes a ISO 220 ou superior) dentro das zonas de desgaste, garantindo tanto a penetração quanto a proteção.
1. Penetração Real nos Pontos de Desgaste
As folgas entre pinos e buchas são microscópicas. Óleos pesados não conseguem “entrar” nessas lacunas a tempo, especialmente em correntes rápidas. Lubrificantes de baixa viscosidade agem como um veículo: eles “correm” para dentro das interfaces, depositam o filme de éster e os aditivos exatamente onde o metal toca o metal. Isso garante proteção mesmo em velocidades superiores a 20 metros por minuto.

2. Redução da Contaminação
Lubrificantes viscosos agem como um “ímã” de sujeira, poeira e névoa de tinta (overspray). Com o tempo, a corrente parece um “tapete felpudo” de detritos. Essa crosta impede que o óleo novo chegue ao pino e pode se soltar, contaminando as peças transportadas. Os sintéticos de baixa viscosidade mantêm a corrente limpa, pois não deixam esse filme externo pegajoso.
3. Menos Desperdício e Melhor Housekeeping
Óleos grossos demoram a penetrar e acabam acumulando na parte externa, resultando em gotejamento excessivo (o terror das linhas de pintura e automotivas). A baixa viscosidade garante que o óleo “suma” para dentro da corrente quase instantaneamente, mantendo o chão de fábrica limpo e seguro.
4. Estabilidade Térmica em Fornos
Os POEs modernos suportam de 250°C a 300°C sem carbonizar. Isso é crítico em estufas de pintura.
Atenção à Segurança: Nunca use óleos comuns de “prateleira”. O ponto de fulgor e o ponto de combustão devem ser rigorosamente superiores à temperatura do forno para evitar incêndios catastróficos que “viajam” com a corrente.
Mitos e Verdades sobre a Viscosidade
O técnico antigo associa “grossura” à proteção. Mas a ciência mostra que a proteção vem da formação do filme hidrodinâmico dentro da peça. Um lubrificante que começa como ISO VG 10 pode entregar um filme residual equivalente a um ISO 220 dentro do pino após a estabilização térmica. O que importa não é a viscosidade no tambor, mas o filme que sobra na zona de atrito.
O Futuro: Dados e Monitoramento
A lubrificação moderna não é mais baseada no “olhômetro”. Sistemas automatizados e sensores agora rastreiam:
- Taxa de alongamento da corrente (desgaste).
- Consumo preciso de lubrificante.
- Tendências de temperatura.
Com esses dados, vemos plantas dobrando a vida útil das correntes e reduzindo drasticamente as paradas para manutenção.

Conclusão
A migração para sintéticos de baixa viscosidade é um dos maiores avanços da manutenção industrial. Onde antes havia sujeira e desgaste, hoje temos sistemas limpos e duradouros. No Brasil, embora o hábito de usar óleos pesados ainda resista em algumas regiões, a tendência é clara: eficiência, segurança e economia passam pela tecnologia dos lubrificantes de baixa viscosidade.

