Uma prática que encontro com frequência nas plantas que visito é a preparação de kits de peças e materiais. Isso pode ser feito para um pequeno reparo ou para uma grande parada, quando muitos componentes desgastados são substituídos. A base desse processo é uma lista dos materiais e das peças usados em cada máquina.
Esses dados normalmente são mantidos em um sistema computadorizado de gestão da manutenção, o CMMS, e atualizados à medida que máquinas antigas são desativadas e substituídas. A preparação dos kits seria impossível sem esse catálogo de peças no CMMS.
Seguindo a mesma lógica, sempre me surpreende perguntar qual lubrificante está sendo usado em determinada máquina e, em metade das vezes, ouvir como resposta: “Não tenho certeza”. Se todos os outros dados da máquina estão registrados no CMMS, por que o lubrificante não está? Ele não é um dos elementos mais importantes para manter a máquina funcionando?
Ao longo dos anos, ouvi muitas justificativas, entre elas:
• “Eles estão no cartaz da sala de lubrificação.”
• “O lubrificante registrado no CMMS é antigo. Nem mantemos mais esse produto em estoque, por isso não consultamos o sistema.”
• “Nossos técnicos sabem de cabeça qual lubrificante deve ser usado.”
É nesse ponto que um Sistema de Gerenciamento da Lubrificação, ou LMS, pode ajudar.
Um componente essencial do LMS é uma lista de todos os lubrificantes usados na instalação. Destaco a palavra “todos” porque já encontrei muitas listas restritas aos produtos de uma marca específica. Se outra marca for usada em uma única máquina ou em uma aplicação pontual, ela acaba ficando fora do registro.
Outras informações importantes sobre os lubrificantes que devem ser mantidas no LMS incluem:
• Imagem da etiqueta ou do rótulo do lubrificante
• Marca e nome comercial do lubrificante
• Código do Sistema de Identificação de Lubrificantes, o LIS, correspondente ao produto
• Aplicações em que o lubrificante é usado
• Ficha de Dados de Segurança e Ficha Técnica, SDS e TDS nas siglas em inglês
Etiqueta do lubrificante
A etiqueta permite identificar rapidamente o lubrificante usado em:
• Tanque de armazenamento a granel
• Recipiente selável e reabastecível, identificado pela sigla S&R em inglês
• Pistola de graxa
• Carrinho de filtragem
• Ponto de manutenção
Ao criar uma etiqueta de lubrificante, três elementos devem ser incluídos: cor, forma e texto. O texto pode apresentar a marca e o nome específico do produto ou o código LIS. A informação escrita é importante para os técnicos com daltonismo. Também é essencial dispor de um método rápido e simples para produzir as etiquetas.
Marca e nome comercial do lubrificante
Pode parecer óbvio, mas é surpreendente a quantidade de listas de lubrificantes que não apresentam o nome real do produto. Com frequência, encontro descrições como “óleo hidráulico 68” ou “Mobil ISO VG 220”. Embora tragam alguma informação, nenhuma delas indica com exatidão qual lubrificante deve ser usado.
Existem milhares de óleos hidráulicos ISO VG 46, e a Mobil fabrica vários tipos de óleo ISO VG 220. Com tão poucos dados, permanece a dúvida sobre qual óleo realmente está sendo usado na máquina.
Se o nome comercial for usado nas etiquetas, deve-se lembrar que uma mudança de marca na planta torna o sistema de identificação desatualizado. Em alguns casos, é melhor usar um código genérico, como o apresentado a seguir.
Código do Sistema de Identificação de Lubrificantes
A ISO 6743 é a norma de classificação de lubrificantes. Em resumo, ela classifica o produto de acordo com sua composição, incluindo o óleo base e os aditivos, e com a aplicação, atribuindo um símbolo ISO. O sistema reúne um nível elevado de detalhe sem tornar a identificação excessivamente complexa.
Um código conhecido é HM, usado em óleos hidráulicos de aplicação geral. Nas etiquetas de lubrificação da Noria também são informados o grau de viscosidade ISO VG e o óleo base. No caso das graxas, aparecem ainda o espessante e o grau NLGI.

Você pode se perguntar por que essas informações devem fazer parte da lista de lubrificantes. Imagine que as etiquetas de todas as máquinas tenham sido criadas com a marca do produto em uso. Se a planta precisar trocar de marca, todas essas máquinas terão de receber novas etiquetas. Com o LIS na identificação, é possível encontrar um lubrificante compatível de outra marca e manter a mesma etiqueta na máquina.
Aplicações
Gosto de encontrar duas informações relacionadas às aplicações em uma lista de lubrificantes: os tipos de máquinas em que o produto é usado e o volume consumido na instalação. Conhecer os equipamentos ajuda a organizar as cores das etiquetas. Por exemplo, todos os óleos para engrenagens podem receber a cor laranja.

Misturar lubrificantes nunca é recomendável. Ainda assim, misturar dois produtos da mesma classe, mas com viscosidades diferentes, é menos perigoso do que combinar lubrificantes de classes distintas, como um óleo hidráulico e um óleo para engrenagens.
Conhecer a quantidade de lubrificante utilizada ajuda o programa a definir quanto deve ser armazenado na sala de lubrificação. Essa informação também é indispensável para planejar futuras atividades de manutenção, como paradas e grandes trocas de óleo.
Fichas de Dados de Segurança e Fichas Técnicas
A maioria das plantas industriais possui uma política que exige uma Ficha de Dados de Segurança para todos os lubrificantes mantidos no local. Durante uma avaliação, quando pergunto se existem SDS para todos os produtos, a resposta costuma ser afirmativa. A dificuldade aparece quando peço para consultá-las.
Manter todas as SDS no LMS concentra os documentos em um único lugar e permite que qualquer integrante do programa de lubrificação os acesse rapidamente. As fichas técnicas ajudam a esclarecer onde determinado lubrificante pode ou não ser usado. Também informam os limites de uma graxa, como suas temperaturas máxima e mínima de trabalho.
A documentação é essencial
Tudo se resume a uma documentação detalhada. Costumo dizer que, em um programa de lubrificação, o sucesso está nos detalhes. Registre cada informação, começando pela criação de uma lista consolidada de lubrificantes. Uma lista legível, identificada por cores e devidamente rotulada ajuda a iniciar o programa de lubrificação sobre uma base correta.

