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Edição atual
Março de 2025

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Tarefa Básica ou Decisão Estratégica: Selecionar o Lubrificante Adequado

A seleção adequada de lubrificantes vai além de uma simples tarefa de manutenção; está no cerne da movimentação da indústria. Presentes em toda máquina em movimento, os lubrificantes são seu sangue vital, sustentando e impulsionando setores industriais em todo o mundo.

A escolha correta do lubrificante desempenha um papel fundamental no alcance dos objetivos de uma instalação. Ao selecionar o lubrificante apropriado para cada aplicação, as instalações podem aumentar a vida útil dos equipamentos, reduzir o consumo de energia, melhorar a eficiência operacional e minimizar o risco de paralisações não planejadas.

Ao entender o que está envolvido na seleção de um lubrificante, as instalações podem escolher a opção certa para cada tarefa, colher benefícios de longo prazo para os negócios e garantir operações mais saudáveis e previsíveis.

Entendendo as Necessidades da Máquina

De uma perspectiva holística, poucos processos têm um impacto tão direto nas taxas de parada, na saúde das máquinas e no orçamento geral de manutenção quanto a seleção de lubrificantes. Por isso, especialistas consideram essa uma das decisões mais críticas que qualquer programa de manutenção pode tomar.

Cada ativo lubrificado é projetado precisamente para realizar uma tarefa específica, e escolher o lubrificante correto para esse ativo é a melhor maneira de garantir seu funcionamento adequado e proteger tanto o equipamento quanto o investimento da empresa. Um único erro na seleção ou gestão de lubrificantes pode levar à aplicação do produto errado em equipamentos críticos, causando falhas prematuras e interrompendo as operações que dependem deles.

Embora a seleção de um lubrificante possa parecer enganosamente simples, é essencial que as decisões não sejam tomadas sem cuidado. Pequenos erros podem resultar em consequências graves a longo prazo, muitas vezes porque passam despercebidos até que seja tarde demais para corrigi-los. Além disso, fatores como formulação e produção de lubrificantes estão em constante evolução, impulsionados por novos dados e tecnologias. Para selecioná-los adequadamente, o processo de escolha de uma instalação deve se atualizar, evitando depender de padrões e recomendações ultrapassados.

Antes de escolher um lubrificante, porém, a equipe precisa entender completamente as necessidades do equipamento a ser lubrificado. Embora as recomendações do Fabricante de Equipamento Original (OEM) sejam um bom ponto de partida, verificações adicionais são necessárias para garantir que o lubrificante sugerido seja uma opção viável. Muitas instalações precisam ajustar seus critérios de seleção com base em parâmetros operacionais únicos de seus equipamentos, como:

  • Velocidade
  • Carga
  • Temperatura de operação
  • Materiais das superfícies internas
  • Condições ambientais
  • Potencial de contaminação
  • Requisitos alimentares ou ambientais

Cada um desses parâmetros deve ser considerado e equilibrado com a disponibilidade do lubrificante e seu custo total.

Custo vs. Benefício

Muitas instalações que buscam reduzir custos consideram comprar lubrificantes mais baratos. No entanto, essa abordagem geralmente é ineficaz em termos de lucratividade e arriscada como decisão de manutenção. Em média, os custos com lubrificantes representam apenas 1-3% do orçamento anual de manutenção de uma instalação, e os orçamentos totais de manutenção correspondem a 8-10% dos custos operacionais totais. Isso significa que, para cada dólar gasto pela empresa, a compra de lubrificantes representa apenas 0,1 centavo.

Obviamente, em uma visão macroeconômica, a seleção de lubrificantes não consome uma grande fatia do orçamento anual. Porém, isso não significa que a manutenção terá automaticamente acesso ao orçamento necessário. Nesses casos, os responsáveis pelas decisões devem escolher produtos bem-informados e adequados aos equipamentos, respeitando os limites de gastos pré-definidos.

No fim das contas, o custo do lubrificante em si é uma fração mínima comparado ao custo de uma parada não planejada, que pode paralisar a produção caso as máquinas falhem. No entanto, o lubrificante é apenas o meio pelo qual a lubrificação ocorre; cabe à equipe de manutenção integrá-lo a uma estratégia eficaz, que também considere o controle adequado de contaminação e a gestão das tarefas de lubrificação.

As 3 Categorias de Lubrificantes

Após compreender as necessidades do ativo, o próximo critério a ser considerado é o nível de desempenho do lubrificante. A maioria se enquadra em três categorias principais: desempenho padrão, alto desempenho e desempenho especializado. Entender suas diferenças e aplicações adequadas é crucial para garantir a escolha certa.

  1. Desempenho Padrão
    Lubrificantes de desempenho padrão são os mais comuns, muitas vezes adquiridos em grandes quantidades para reduzir custos. São soluções genéricas que cumprem as funções básicas exigidas pelos requisitos mínimos de operação dos OEMs. Estima-se que cerca de 80% dos componentes mecânicos possam ser lubrificados eficazmente com produtos de desempenho padrão.
  2. Alto Desempenho
    Lubrificantes de alto desempenho são fabricados com materiais especializados que oferecem capacidades aprimoradas. Alguns atendem a necessidades específicas, como suporte a cargas pesadas, alta resistência ao desgaste ou ciclos de vida prolongados. Geralmente, essa categoria é adequada para 18-20% dos componentes mecânicos.
  3. Desempenho Especializado
    Projetados para circunstâncias extraordinárias, como ambientes de usinas nucleares, temperaturas extremas, operações em vácuo ou baixa gravidade, ou instalações que lidam com materiais altamente corrosivos. Cada lubrificante especializado é desenvolvido para um ambiente ou especificação específica, devendo ser química e fisicamente estável nessas condições.

Contudo, há desvantagens: muitos não suportam aditivos valiosos, e seu custo pode ser proibitivo — até 200 a 400 vezes mais caros que lubrificantes comuns. Ainda assim, a maioria das instalações nunca precisará desses produtos (e, quando necessário, o custo costuma ser justificável). Lubrificantes especializados são usados em apenas 1-2% das aplicações industriais.

Conclusão

Em uma era de crescente complexidade operacional e competição acirrada, a seleção adequada de lubrificantes não deve ser vista como uma mera tarefa de manutenção, mas como um investimento estratégico cuidadosamente planejado. Ao adotar essa perspectiva como parte de um programa de lubrificação bem-informado e baseado em dados, as instalações podem desbloquear vantagens operacionais significativas. Ao considerar as necessidades específicas dos equipamentos, explorar categorias de lubrificantes e equilibrar desempenho com custo, é possível otimizar a vida útil das máquinas, aumentar a eficiência, ganhar vantagem competitiva e minimizar custos operacionais.

Por Noria Media.
Traduzido pela equipe de conteúdos da Noria Brasil.
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ML 02/2025: "Basic Task or Strategic Decision: Selecting the Proper Lubricant"