Lubrificação Assistida por Ultrassom: Avançando nas Práticas de Lubrificação de Rolamentos

Manter o controle da lubrificação parece simples, não é? Basta usar o lubrificante correto, na quantidade certa e no momento adequado. Na prática, porém, a gestão de lubrificação é muito mais complexa. Falhas em rolamentos frequentemente resultam em paradas não planejadas, afetando a produção e componentes relacionados — um problema crítico em setores como mineração e agronegócio, pilares da indústria brasileira.

O problema da lubrificação baseada apenas no tempo

Por décadas, muitos técnicos confiaram apenas na lubrificação preventiva periódica: a cada alguns meses, a pistola de graxa é usada, e os rolamentos são lubrificados. Afinal, a sub-lubrificação pode ser catastrófica, causando falhas, reparos caros e perda de produtividade.

No entanto, depender exclusivamente de intervalos de tempo ou de leituras de temperatura como indicadores do status da lubrificação traz outro risco: a sobre-lubrificação, tão prejudicial quanto a falta de graxa. O excesso de lubrificante eleva a temperatura operacional e acelera a falha dos rolamentos.

A solução? Combinar práticas consagradas (como a purga de graxa antiga) com tecnologias preditivas. Ao integrar o ultrassom às rotinas de manutenção, é possível unir a programação tradicional à análise condicional, oferecendo clareza e confiabilidade.

Tecnologia de Ultrassom: Precisão além do ouvido humano

Equipamentos ultrassônicos captam sinais inaudíveis ao ouvido humano (tanto aéreos quanto estruturais) e os convertem em sons audíveis e níveis de decibéis (dB) exibidos em painéis. Alguns dispositivos também permitem análise espectral. Com treinamento, técnicos interpretam esses dados para definir ações corretivas.

No contexto brasileiro, onde a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) exige gestão criteriosa de informações, softwares de armazenamento integrados a esses equipamentos são aliados — garantindo histórico de dados sem violar normas.

A tecnologia é localizada: ao aplicar a sonda em um rolamento, não há interferência de ruídos externos. Assim, cada componente é avaliado individualmente, como um ultrassom médico identifica veias obstruídas.

Exemplo prático: Um gerente de manutenção relatou que, após adotar o ultrassom, sua planta reduziu de 30 falhas anuais em equipamentos rotativos para zero em três anos.

Como o ultrassom otimiza a lubrificação

  1. Estabelecimento de uma linha de base: Na primeira inspeção, define-se um nível de dB de referência e uma amostra de som para cada rolamento. Desvios são identificados facilmente.
  2. Monitoramento contínuo: Rolamentos são acompanhados quanto a mudanças de amplitude ou qualidade sonora. Se o dB ultrapassar 8 acima da baseline (sem alteração no som), é hora de lubrificar.
  3. Aplicação controlada: A graxa é adicionada gradualmente até o dB retornar ao normal, evitando excessos.

Muitas equipes adotam um sistema em duas etapas:

  • Um inspetor de confiabilidade usa equipamentos avançados para gerar relatórios.
  • O técnico de lubrificação utiliza dispositivos portáteis acoplados à pistola de graxa, que alertam quando parar.

Cenários de aplicação: Do bom ao ideal

  • Bom: Seguir recomendações do fabricante sobre tipo e quantidade de lubrificante.
  • Melhor: Usar ultrassom durante a lubrificação para dosar a graxa e detectar falhas (como ruídos de desgaste).
  • Ideal: Rotas de inspeção com software de gestão, onde alarmes indicam necessidade de lubrificação (nível baixo) ou falhas iminentes (nível alto).

Conclusão: Vale o investimento?

Adotar novas tecnologias gera dúvidas: “O retorno justificará o custo?” No Brasil, onde a competitividade industrial exige eficiência, a resposta é clara. Empresas de celulose e papel, por exemplo, já usam ultrassom para reduzir paradas em ambientes úmidos — comuns no clima tropical.

A tecnologia não resolve tudo, mas é uma ferramenta poderosa. Quando se trata de lubrificação, a pergunta crucial é: “Podemos nos dar ao luxo de não usar o ultrassom?”

Ao combinar precisão técnica com adaptações ao mercado local, a lubrificação assistida por ultrassom se torna não apenas uma inovação, mas uma necessidade estratégica para a indústria brasileira.

Por Adrian Messer, SDT Ultrasound Solutions.
Traduzido pela equipe de conteúdos da Noria Brasil.
---
ML 32881: "Ultrasound-Assisted Lubrication: Improving Bearing Lubrication Practices"

Leia mais...

imagem_2024-12-16_155128527
Como o IIoT Está Mudando o Monitoramento de Condição

A internet industrial das coisas (IIoT) e a Indústria 4.0 já estão gerando enormes benefícios em plantas ao redor do mundo. Parece que a força de trabalho jovem e digital de hoje é a energia que impulsiona essa mudança. Esforços anteriores foram, no mínimo, lentos. Produtos modernos de consumo colocaram dispositivos conectados em nosso bolso, …

capa
Onde Há Vontade, Há um Caminho

Minha empresa passou mais de duas décadas no setor industrial e vimos o mesmo "filme" se repetir em fábrica após fábrica: Operação e Manutenção travadas em uma batalha interminável. A Operação quer rodar as máquinas a todo vapor para bater as metas de produção. A Manutenção precisa de paradas (downtime) para evitar que essas mesmas …

imagem_2026-09-28_145842633
Sistema LIS para identificação de lubrificantes

O Sistema de Identificação de Lubrificantes LIS organiza, em uma única etiqueta, o tipo de produto, sua aplicação, o grau de viscosidade ou consistência, o tipo de óleo básico e suas características. A combinação de forma, cor e código alfanumérico permite que armazenamento, transferência e aplicação usem a mesma linguagem e reduz o risco de …

imagem_2025-10-21_174038341
Um Olhar Honesto sobre os Problemas dos Lubrificantes de Grau Alimentício

Como Especialista em Lubrificação em uma fábrica de grau alimentício, eu enfrento desafios únicos que precisam ser pensados na hora de escolher e usar lubrificantes de grau alimentício. Eu trabalho na Blue Buffalo, onde fazemos comida para cães e gatos, mas nossas regras — definidas pela FDA e pela NSF — são as mesmas seguidas …

imagem_2025-06-30_135118365
10 Problemas Comuns com Graxa e Como Resolvê-los

Identificar problemas com lubrificantes pode ser complicado, mesmo quando falamos de óleos – e fica ainda mais difícil com graxas. Enquanto a análise de óleo é algo comum na maioria das indústrias, analisar a graxa que já está em uso é raro e mais difícil de entender. Produtos de graxa geralmente compartilham informações básicas, como …

imagem_2025-05-30_151855801
O Que Tem na Caixa?

Passei a última semana ajudando um cliente a reorganizar seu programa de lubrificação. Eles já tinham recebido uma visita nossa anos atrás, mas, depois disso, a empresa foi comprada por outra e sofreu várias trocas de liderança. Com tanta gente entrando e saindo, a comunicação se perdeu, e o programa acabou ficando de lado. Apesar …