Antes da década de 1960, a gestão de ativos fixos era amplamente informal e reativa. A disciplina de Gestão de Ativos Corporativos (EAM – Enterprise Asset Management) ainda não havia evoluído o suficiente para que estratégias robustas fossem aplicadas à manutenção.
Naquela época, grandes operações consolidadas eram raras e até a planilha eletrônica demoraria uma década para surgir. O controle era feito em diários de papel e registros manuais. Esse cenário de “quebra-conserta” pavimentou o caminho para a evolução das estratégias modernas que utilizamos hoje.
Manutenção Preventiva (O Alicerce)
Entre as décadas de 1960 e 1980, com o aumento dos custos de parada e a falta de peças, as empresas passaram a adotar a manutenção programada. Foi o nascimento dos sistemas CMMS (Sistemas de Gestão de Manutenção Computadorizada).
O software Maximo, lançado em 1985 e posteriormente adquirido pela IBM, tornou-se o líder desse mercado. Dados da WifiTalents indicam que programas de preventiva bem estruturados reduzem reparos emergenciais em até 40%. Para alcançar a excelência operacional em 2026, a preventiva deve focar em:
- Ordens de Serviço (OS) Digitais: Eliminação total do papel para rastreio em tempo real.
- Gestão de Estoque MRO: Garantir que rolamentos, retentores e lubrificantes estejam disponíveis no “Ponto de Pedido” correto.
- Cronogramas Regulares: Evitar a degradação acelerada por falta de intervenção básica.
- Gestão de Dados: Padronização de cadastros de ativos para decisões baseadas em fatos.

2. Manutenção Preditiva (PdM)
A PdM monitora a condição real do equipamento para identificar problemas potenciais. Se antes era restrita a ativos críticos (como turbinas), hoje, com a Internet das Coisas (IoT), ela se tornou acessível a uma gama maior de equipamentos.
A diferença crucial entre a Manutenção Baseada na Condição (CBM) e a Preditiva (PdM) é que a PdM não olha apenas o agora; ela usa tendências, padrões históricos e algoritmos de Machine Learning para prever quando a falha ocorrerá.
Técnicas principais: Análise de vibração, termografia infravermelha, análise de óleo, ultrassom e emissões acústicas.
3. Manutenção Centrada na Confiabilidade (RCM)
A RCM foca em garantir que os sistemas desempenhem suas funções com base em sua criticidade e modos de falha. Ela é mais personalizada que a preditiva pura, pois prioriza recursos onde a falha seria catastrófica ou muito cara. Empresas que aplicam RCM relatam até 80% de redução nos custos com downtime.
Exemplo Prático (Bomba de Petróleo):
Resultado: Manutenção just-in-time, evitando reparos caros e garantindo a continuidade da produção.
Modo de Falha: Desgaste de selo mecânico ou rolamento.
Estratégia RCM: Combina preventiva (troca periódica de selos), preditiva (sensores de vibração) e CBM (sensores de pressão/vazão).
4. Gêmeos Digitais (Digital Twins)
Um Gêmeo Digital é uma representação virtual dinâmica de um ativo físico. Ele espelha o estado e o comportamento do equipamento em tempo real, alimentado por sensores e dados de sistemas como SCADA ou MES. Segundo a McKinsey, essa tecnologia pode melhorar a eficiência operacional em 20-30%. Devido à complexidade, é uma estratégia voltada para operações de grande escala (Asset-Heavy).

5. Manutenção Baseada em Risco (RbM)
A RbM prioriza atividades de manutenção com base no nível de risco (Probabilidade x Consequência). É uma abordagem de custo otimizado, onde o esforço de manutenção é proporcional ao prejuízo que a falha causaria.
Fórmula Básica: RbM = Probabilidade de Falha × Consequência da Falha
Caso na Mineração: Em uma frota de caminhões fora-de-estrada, os veículos são monitorados via telemetria. Caminhões com maior pontuação de risco recebem atenção preditiva imediata, enquanto ativos de baixo risco (que não param a linha) podem seguir o modelo de “operar até falhar” (run-to-failure).

6. IA e Soluções Agênticas em EAM
A Inteligência Artificial (IA) está transformando o EAM ao integrar dados de sensores IoT, históricos de manutenção e manuais de fabricantes.
- Análise Multidimensional: Detecta padrões sutis que a preditiva tradicional ignora.
- Programação Dinâmica: Ajusta automaticamente os cronogramas de manutenção com base na condição em tempo real e na disponibilidade de peças.
- Autoaperfeiçoamento: O sistema aprende com os resultados de manutenções passadas, reduzindo o erro humano na tomada de decisão.
Empresas como Airbus e Kion Group já utilizam IA para otimizar o ciclo de vida dos ativos e apoiar decisões estratégicas de alto nível.
Conclusão
A jornada da manutenção reativa dos anos 60 para a IA Agêntica de 2026 mostra que o sucesso depende da integração entre tecnologia e estratégia. Seja através de um robusto plano de preventivas ou de complexos Gêmeos Digitais, o objetivo final permanece: máxima disponibilidade com custo otimizado.

