4 Testes de Graxa para Sistemas de Lubrificação Centralizada

Quando se projeta um sistema de lubrificação centralizada, o que vem primeiro: o sistema ou a escolha da graxa? A maioria das pessoas começa com o sistema e depois encontra uma graxa adequada para ele. No entanto, a melhor abordagem é começar com uma graxa que atenda às necessidades da máquina e, em seguida, projetar um sistema de lubrificação que funcione com o lubrificante.

O que há em uma Graxa?

Antes de considerar quais testes devem ser realizados para ajudar a selecionar a graxa certa, é necessário entender o básico da formulação da graxa. Durante os cursos de treinamento da Noria, a classe frequentemente é questionada: “O que é graxa?” As respostas típicas incluem “óleo muito grosso,” “um lubrificante parecido com pasta,” etc. De acordo com a ASTM D288, a graxa é definida como “um produto sólido a semilíquido proveniente da dispersão de um agente espessante em um lubrificante líquido. Outros ingredientes que conferem propriedades especiais podem ser incluídos.”

Basicamente, uma graxa é composta por três partes: o óleo base, os aditivos e um espessante. O óleo base pode constituir entre 70% a 95% da graxa. Ele fornece a viscosidade e a espessura do filme da graxa, sendo a base sobre a qual a graxa é construída. Pode-se usar óleo mineral, sintético ou à base de vegetais em uma graxa. O tipo de óleo é selecionado com base nas propriedades desejadas para a aplicação.

Os aditivos são usados para conferir novas propriedades ou para suprimir ou melhorar as propriedades existentes do óleo base. Eles podem compor entre 0% a 10% da graxa e normalmente oferecem proteção para equipamentos rotativos durante a partida e desligamento. Os aditivos também podem ajudar a proteger contra ferrugem e corrosão.

O espessante é crítico, pois é o veículo que entrega o óleo base e os aditivos ao equipamento. Pode representar entre 3% a 30% da graxa. Existem muitos tipos de espessantes, mas a maioria se encaixa em duas categorias: sabão simples ou sabão complexo. Outros espessantes, como poliureia, argila e sílica, não se enquadram nessas categorias, mas também atuam como agentes espessantes em formulações de graxas especiais.

Seleção de Graxa

Agora que você tem uma compreensão melhor de como a graxa é formulada, vamos analisar quatro testes que podem revelar como os ingredientes da graxa irão interagir dentro de um sistema de lubrificação. A primeira propriedade a considerar é a viscosidade aparente do óleo base.

Teste de Viscosidade Aparente

A viscosidade é a propriedade mais importante de qualquer lubrificante. Para determinar a viscosidade necessária do óleo base, você deve identificar a viscosidade ideal para cada componente do sistema que planeja lubrificar. A viscosidade do óleo base da graxa é indicada na ficha técnica do produto. Uma vez que você tenha estabelecido a viscosidade necessária, teste a graxa para verificar sua viscosidade aparente. Isso se relaciona à mobilidade da graxa ao passar pelas linhas e componentes de um sistema de lubrificação centralizada. A viscosidade aparente envolve a influência coletiva do óleo base, dos aditivos e do espessante. O teste padrão ASTM D1092 é ideal para medir a viscosidade aparente das graxas lubrificantes. Ele pode ajudar a prever quedas de pressão em um sistema de lubrificação centralizada sob fluxo constante e a uma temperatura constante. Os resultados deste teste são reportados em centipoise.

Teste de Penetração com Cone

Você também precisará determinar a consistência necessária ou a classe NLGI da graxa. Um ponto de partida geral é a temperatura operacional esperada e o fator de velocidade. Outras variáveis que podem impactar a consistência necessária incluem o tipo de rolamento, o tipo de espessante, a viscosidade do óleo base e o tipo de óleo base.

O teste de penetração com cone (ASTM D217) é frequentemente utilizado para avaliar a consistência da graxa. Ele utiliza um cone pesado para penetrar em um bloco de graxa, com quatro padrões para testar a consistência da graxa: não perturbada, trabalhada, trabalhada prolongada e bloco. O foco deste artigo será nos testes não perturbados e trabalhados.

Um teste de penetração não perturbada fornece informações sobre a consistência da graxa durante as condições de armazenamento. Os testes de penetração trabalhada revelam qual será a consistência da graxa enquanto ela estiver dentro de uma máquina ou componente. Isso é essencial em sistemas de graxa centralizada, pois a graxa pode ficar em “condições de armazenamento” por um período prolongado antes de alcançar o componente. As condições de armazenamento se aplicam à graxa tanto quando ela está em um tambor ou outro recipiente de armazenamento quanto nas linhas de fornecimento.

Entre os fatores a considerar ao planejar o caminho da linha de fornecimento estão as exposições à temperatura, os caminhos verticais e o tempo que leva para a graxa entrar na linha de fornecimento e alcançar seu destino. Esses fatores podem fazer com que o óleo base e o espessante se separem, levando à falta de óleo no equipamento.

Teste de Estabilidade Estrutural

Em seguida, avalie quão estável a graxa será quando submetida às condições operacionais. Você precisa saber se a graxa será capaz de suportar as cargas previstas e por quanto tempo antes de começar a falhar. O método de teste de estabilidade estrutural ASTM D1831 utiliza um teste de penetrômetro de graxa não trabalhada. A mesma graxa é então trabalhada em um dispositivo padrão de estabilidade de rolo por duas horas a uma temperatura entre 20 a 35 graus Celsius (68 a 95 graus Fahrenheit). A graxa é então submetida novamente ao teste de penetrômetro. A diferença entre os dois testes é usada para medir o efeito da baixa estabilidade a cisalhamento do óleo na graxa.

Teste de Ventabilidade

O teste final está relacionado especificamente a como combinar a graxa ao projeto do sistema de lubrificação e ao tamanho da tubulação a ser utilizada. Dependendo de quão longe a graxa será bombeada, o tamanho da tubulação pode impactar significativamente o custo do sistema. O teste de ventabilidade identifica o diâmetro da linha de fornecimento necessário para uma graxa específica. Ele também pode ajudar a determinar se a graxa pode ser usada em um sistema de lubrificação centralizada e se as válvulas de graxa e injetores funcionarão adequadamente. O teste pressuriza a graxa a 1.800 psi em uma bobina de 25 pés. Após a graxa estabilizar a 1.800 psi, uma válvula de alívio é aberta e o manômetro é lido após 30 segundos. Comparando essa leitura de pressão com uma tabela de referência da linha de fornecimento, será possível determinar o diâmetro necessário.

Além disso, ao escolher uma linha de fornecimento, certifique-se de selecionar um material apropriado. Alguns metais, como cobre e aço galvanizado, podem ter efeitos severos na composição da graxa.

Também deve ser observado que, quando a graxa é submetida a certas condições sob pressão, ela pode passar pelo que é chamado de cake-lock. Isso ocorre quando o movimento do espessante da graxa é restrito, levando a um bloqueio na linha ou componente. O óleo base pode continuar a fluir, mas o espessante não. Sem o espessante, o óleo base pode não alcançar as zonas de trabalho dos componentes, causando a falta de lubrificação. Todas as três partes de uma graxa (óleo base, aditivos e espessante) podem contribuir para o cake-lock, e nenhum elemento isoladamente pode aumentar ou diminuir a possibilidade dessa condição.

Com os resultados desses testes, você agora terá as informações necessárias para tomar uma decisão informada. Considere o seu orçamento para um sistema centralizado ao fazer a seleção da graxa, mas projete o sistema em torno da graxa. Evite erros comuns, como ter um diâmetro de linha de fornecimento muito pequeno ou muito grande, usar pressão demais ou de menos para empurrar a graxa pelas linhas de fornecimento e sacrificar propriedades essenciais da graxa apenas para que o lubrificante possa fluir através do sistema.

Agora, se lhe perguntarem o que vem primeiro ao projetar um sistema de lubrificação centralizada, o sistema ou a graxa, você saberá a resposta correta.

Por Devin Jarrett, Noria Corporation.
Traduzido pela equipe de conteúdos da Noria Brasil.
---
ML 12/2017: "4 Grease Tests for Centralized Lubrication Systems"

Leia mais...

asddrfawy5tq34rWEDS
3 Maneiras que os Prêmios ICML Podem Beneficiá-lo

Nos últimos 17 anos, o Conselho Internacional de Lubrificação de Máquinas (ICML) reconheceu uma variedade de plantas, programas e indivíduos com dois prêmios de prestígio: o Prêmio Augustus H. Gill pela excelência em análise de óleo e o Prêmio John R. Battle pela excelência em lubrificação. Embora esses prêmios apoiem inerentemente a missão da organização …

imagem_2025-04-08_171707093
Da Manutenção Preventiva à Preditiva: A Transformação Estratégica

Novas tecnologias estão capacitando equipes de manutenção como nunca antes, oferecendo eficiência, visibilidade e precisão sem precedentes. Essa revolução na manutenção industrial está transformando radicalmente nossa abordagem para alcançar a confiabilidade de equipamentos. O Legado da Manutenção PreventivaHistoricamente, a manutenção preventiva (MP) era considerada o método ideal para preservar equipamentos. Ela envolve serviços e inspeções …

VERNIZ BORRA
Desmistificando Borra e Verniz

Você poderia usar isso até para impermeabilizar um telhado. Gruda em tudo. Se espalha como um câncer. Você achou que tinha se livrado com a troca de óleo e a limpeza, mas ele voltou – escondido no óleo e grudado nas partes internas da sua máquina: estamos falando da borra e do verniz. Parece familiar? …

capa
Encontrando Ouro nos Dados: Lições de uma Vida Inteira em Manutenção Preventiva

A câmera Polaroid disparou. Keith Schafer removeu o negativo para revelar mais um gráfico de osciloscópio — o "batimento cardíaco" de um motor, congelado em preto e branco. Eram os fins da década de 80, e aquilo era o monitoramento de condição de ponta: sem nuvem, sem bancos de dados digitais, apenas catálogos intermináveis de …

imagem_2025-04-08_170133453
Como Identificar e Prevenir Proativamente a Contaminação de Lubrificantes

O elemento mais crítico de qualquer programa de lubrificação é ter um processo proativo para identificar e controlar a contaminação em equipamentos vitais. Ao definir os contaminantes comuns em máquinas industriais, é possível entender como eles penetram nos sistemas e, assim, proteger melhor os equipamentos críticos. 4 Tipos Comuns de Contaminação No ambiente industrial, os …

imagem_2025-03-18_140805512
Óleos para Motores PC-12: Navegando pelas Mudanças com Confiança

A introdução dos padrões de óleos para motores pesados PC-12 representa uma das mudanças mais significativas do setor até hoje. Impulsionadas por regulamentações mais rigorosas da EPA (Agência de Proteção Ambiental dos EUA) e da CARB (Conselho de Recursos do Ar da Califórnia), essas mudanças visam melhorar a eficiência energética, aprimorar a proteção do motor …